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PSD oficializa chapa Caiado e Kassab neste domingo e expõe limites da ‘nova via’ ao Planalto

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A convenção nacional do PSD neste domingo, 26, vai confirmar a candidatura presidencial de Ronaldo Caiado com Gilberto Kassab como vice. A chapa se apresenta como alternativa à polarização Lula-Bolsonaro. Sua composição puro-sangue, porém, também ratifica o esvaziamento da tentativa de alavancar uma nova via na disputa ao Planalto.

Embora o presidente do PSD seja um dos articuladores mais experientes do País, sua entrada não traz novas forças para a aliança nem rearranja o tabuleiro radicalizado. Ao contrário: mostra que, sem espaço para agregar, Caiado recorreu ao melhor nome disponível dentro de um campo estreito.

Ronaldo Caiado anuncia Gilberto Kassab como vice na chapa
Ronaldo Caiado anuncia Gilberto Kassab como vice na chapa

Nos meses que antecederam a convenção, muito se especulou sobre uma possível união entre Caiado e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo). Porém, nenhum dos dois se mostrou disposto a abrir mão do protagonismo em favor de uma candidatura única.

Segundo fontes ouvidas pela Coluna do Estadão/Broadcast, a cúpula do PSD considerou “inexistente” a possibilidade de Caiado desistir da cabeça de chapa. Zema, por sua vez, também fechou a porta para qualquer composição em que não fosse o candidato à Presidência.

A expectativa do PSD era de que o pré-candidato ganhasse tração e, a partir disso, atraísse novos aliados. Outro argumento recorrente era o de que o alto desconhecimento do eleitorado em relação ao ex-governador de Goiás seria revertido à medida que ele se apresentasse nacionalmente, elevando seus índices nas pesquisas. Até agora, porém, esse movimento não se confirmou.

Caiado tem aparecido nos levantamentos em torno dos 3% e em quarto lugar, atrás até do novato líder do partido Missão, Renan Santos.

Diante desse cenário, o presidente do Conselho Político Nacional do PSD, Heráclito Fortes, foi o primeiro a anunciar, em 30 de maio, a composição de uma chapa pura como decisão estratégica.

“A chapa está lançada e é uma decisão do PSD. Eu recebi a orientação do partido por anúncio. Isso é a melhor coisa que nós poderíamos ter feito. Botamos a bola em campo”, afirmou.

A dificuldade de formar palanques estaduais ajuda a explicar a decisão. No maior colégio eleitoral do País, São Paulo, o PSD apoia o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que está alinhado a Flávio Bolsonaro. Em Minas Gerais, o governador Mateus Simões (PSD) apoia Zema, a quem sucedeu no governo estadual. No Rio de Janeiro, o prefeito da capital e pré-candidato ao Palácio Guanabara, Eduardo Paes (PSD), está alinhado a Lula. Em Pernambuco, segundo o próprio dirigente da sigla, a governadora Raquel Lyra (PSD) tem liberdade para apoiar quem quiser.

Nesse quadro, a escolha de Kassab se tornou a principal — e talvez única — forma de o PSD obter algum grau de unificação interna e engajamento na campanha de Caiado.

Trata-se, contudo, de um ativo relevante: fundador e presidente nacional da legenda desde 2011, Kassab comanda o partido com o maior número de prefeitos filiados no País e reúne no currículo passagens pelos Ministérios das Cidades e das Comunicações, além da Prefeitura de São Paulo e da Secretaria de Governo paulista.

Até o momento, porém, o cenário não é favorável. Caiado ainda está longe de alcançar os 15% das intenções de voto, patamar que o próprio Kassab classificou como “ótimo” para o pré-candidato diante da polarização entre lulismo e bolsonarismo.

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