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IA chega à sala de aula e muda a forma de ensinar e aprender; veja dilemas de escolas e alunos

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Como as escolas estão lidando com uso de IA nos estudos?
A inteligência artificial já faz parte da rotina de milhões de estudantes e vem transformando a forma de ensinar e aprender dentro e fora das salas de aula. Diante do avanço acelerado da tecnologia, escolas públicas e particulares começam a criar regras e estratégias para aproveitar o potencial da IA sem comprometer o desenvolvimento do pensamento crítico dos alunos.
Com diferentes modelos adotados pelo país, especialistas defendem que o desafio não é simplesmente proibir ou liberar a ferramenta, mas ensinar seu uso de forma consciente.
Uma pesquisa internacional sobre educação divulgada recentemente (Pesquisa Internacional de Avaliação de Estudantes, ou PISA) mostra que o tema preocupa sistemas de ensino em todo o mundo. O levantamento ouviu 760 mil estudantes de 15 anos em 91 países e concluiu que 49% das escolas proíbem o uso de celulares e inteligência artificial pelos alunos. Segundo o estudo, o desempenho dos estudantes que não utilizam IA é, em média, 13% superior ao daqueles que recorrem à tecnologia.
No Brasil, os dados seguem na mesma direção. A pesquisa TIC Educação 2025 aponta que apenas 37% das escolas públicas e particulares que oferecem ensino fundamental e médio permitem o uso da inteligência artificial pelos estudantes. Apesar disso, sete em cada dez alunos já utilizam ferramentas de IA em pesquisas e atividades escolares.
Regras para usar a tecnologia
Em uma escola de ensino médio, estudantes participam de debates sobre os limites da inteligência artificial nas atividades acadêmicas. Para orientar o uso da ferramenta, a instituição adaptou um guia desenvolvido pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), originalmente voltado para alunos de graduação.
O modelo estabelece diferentes níveis de permissão por meio de um sistema semelhante a um semáforo. No verde, o uso é liberado; no amarelo, depende do contexto da atividade; e, no vermelho, é proibido. Caberá ao professor definir em quais etapas de uma pesquisa, redação ou trabalho a tecnologia pode ser utilizada.
Segundo especialistas, apenas proibir não resolve o problema. Eles argumentam que impedir completamente o acesso à IA não evita seu uso e pode deixar os estudantes sem orientação para lidar com uma ferramenta cada vez mais presente na vida cotidiana. Por outro lado, a liberação irrestrita também levanta preocupações sobre dependência tecnológica e perda de autonomia intelectual.
Aulas sobre como conversar com a IA
Algumas escolas decidiram incorporar a inteligência artificial ao processo de aprendizagem. Em uma unidade pública de ensino médio do Rio de Janeiro voltada ao empreendedorismo, os alunos aprendem a elaborar comandos para obter respostas mais precisas das ferramentas digitais.
Durante as aulas, os estudantes trabalham conceitos como o de “prompt”, nome dado à instrução enviada à inteligência artificial. Os professores ensinam que quanto mais detalhado for o pedido, mais adequada tende a ser a resposta gerada pela tecnologia. Em atividades pedagógicas específicas, o uso de celulares é autorizado para a criação desses comandos.
A proposta busca desenvolver competências digitais e tornar os alunos mais críticos em relação ao conteúdo produzido pela IA, evitando que a ferramenta seja utilizada apenas para copiar respostas prontas.
Falta de orientação unificada
Apesar do avanço da tecnologia, ainda não existe uma diretriz nacional única para o uso da inteligência artificial nas escolas brasileiras. Como estados e municípios possuem autonomia na gestão da educação, cada rede define suas próprias estratégias de adoção ou restrição da ferramenta.
Especialistas apontam que uma das principais dificuldades é a falta de conhecimento sobre o tema. Segundo eles, muitas escolas já receberam orientações, mas ainda enfrentam desafios para implementar políticas efetivas de uso da IA, principalmente por causa da necessidade de ampliar a educação digital de professores e estudantes.
Neste contexto, o Conselho Nacional de Educação aprovou recentemente a primeira regulamentação oficial sobre o tema. O texto proíbe o uso da inteligência artificial sem supervisão de um professor para alunos até o quinto ano do ensino fundamental. A proposta ainda depende de análise e validação do Ministério da Educação (MEC).
Formação de professores vira prioridade
Enquanto as discussões avançam, a capacitação dos docentes tornou-se uma das principais apostas para adaptar as escolas à nova realidade. O MEC informa que disponibiliza cursos voltados ao uso educacional da inteligência artificial e que milhares de professores já buscaram formação na área.
Pesquisas, porém, indicam que menos da metade dos professores participou de algum treinamento relacionado à IA. Para educadores, acompanhar a evolução tecnológica é uma necessidade permanente para manter o diálogo com os estudantes e incorporar novas ferramentas às práticas pedagógicas.
Entre o aprendizado e o plágio
O debate também envolve a forma de avaliar o uso adequado da tecnologia. Em universidades dos Estados Unidos, alguns professores já adotam estratégias para verificar se o aluno realmente aprendeu o conteúdo. Uma delas é combinar apresentações produzidas com apoio da IA a sessões presenciais de perguntas e respostas, nas quais o estudante precisa demonstrar domínio sobre o tema.
Pesquisadores e educadores envolvidos nessas discussões defendem que o objetivo deve ser desenvolver pensamento crítico e responsabilidade no uso da ferramenta. A proposta é transformar a inteligência artificial em um recurso de apoio ao aprendizado, sem que ela substitua a reflexão e a produção intelectual dos alunos.
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