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De Freud à neurociência, como será o curso de Psicologia mais caro do País: ‘Rompe o establishment’

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De Freud à neurociência. Uma nova faculdade dedicada exclusivamente à Psicologia será inaugurada em 2027 na Vila Olímpia, zona sul da capital, seguindo a tendência das instituições de ensino conhecidas como butique ou premium, com mensalidades altas e currículos que se propõem inovadores. Depois de iniciativas voltadas para áreas como Administração e Tecnologia, surge agora a primeira focada em saúde mental.

A Artmed School of Psychology (Apsy) — o nome é em inglês — terá ao menos 50 vagas na graduação no primeiro ano. A mensalidade será de cerca de R$ 7 mil, segundo a instituição, a mais alta do País na área. De acordo com o reitor da faculdade, o psicólogo Cristiano Nabuco, o curso terá disciplinas específicas para lidar com questões de saúde mental agravadas pelas novas tecnologias.

Nabuco coordenou, até 2023, uma unidade do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), no Hospital das Clínicas, voltada ao atendimento de pessoas com dependência de tecnologia. “As instituições, em geral, são muito engessadas. Não dá para a gente ficar esperando, porque o tempo está passando, nós temos que ensinar. Nós vamos entrar em colapso, principalmente com a questão da inteligência artificial agora”, diz.

Projeto da nova faculdade de Psicologia, Artmed School of Psychology (Apsy),.
Projeto da nova faculdade de Psicologia, Artmed School of Psychology (Apsy),.

O uso da própria IA como fonte de apoio psicológico já cresce entre os jovens. Pesquisa publicada em 2025 nos Estados Unidos mostrou que mais de um em cada cinco jovens de 18 a 21 anos já havia recorrido à IA generativa em busca de orientação sobre saúde mental. Entre os usuários, dois terços faziam isso pelo menos uma vez por mês e mais de 90% consideravam as respostas úteis. Para Nabuco, se o psicólogo não for bem formado, ele pode acabar, sim, substituído por IA.

O curso terá, segundo ele, um modelo de “ensino baseado em evidências clínicas”, com o que ele chama de “prática deliberada” desde o início da graduação, sob supervisão dos professores.

“A gente rompe com esse establishment de faculdades em que você vai estudar Vygotsky, Piaget. Não tem problema, tem que estudar. Mas a gente tem que colocar neurociência, porque, na época deles, não tinham equipamentos de ressonância magnética funcional”, diz Nabuco. Segundo ele, exames de imagem podem contribuir, por exemplo, para a compreensão de transtornos como a depressão, algo que fará parte da graduação. “Claro que vai ter também psicanálise, vai ter uma sala chamada Sigmund Freud, um ensino baseado naquilo que existe de mais novo em cada linha.”

Obras no prédio da rua Alvorada, na Vila Olímpia, onde ficará a instituição.
Obras no prédio da rua Alvorada, na Vila Olímpia, onde ficará a instituição.

A formação em Psicologia no Brasil tradicionalmente passa por diferentes correntes e autores clássicos, entre eles Sigmund Freud, na psicanálise, Jean Piaget, nos estudos sobre desenvolvimento, e Lev Vygotsky, na psicologia histórico-cultural.

Já o curso da Apsy vai incorporar também autores e abordagens mais recentes, com espaço para a terapia cognitivo-comportamental (TCC), que busca compreender a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos e utiliza técnicas estruturadas no tratamento de transtornos mentais. A abordagem ainda aparece menos na formação brasileira do que outras correntes.

A aposta em uma nova faculdade dedicada exclusivamente à área ocorre em um momento de forte interesse pela carreira. Nos últimos anos, Psicologia se tornou um dos cursos mais concorridos da Fuvest, vestibular que seleciona alunos para a USP, com cerca de 60 candidatos por vaga.

Esse interesse também aparece no ensino superior privado. Dados do Mapa do Ensino Superior no Brasil 2026, do Instituto Semesp, mostram que Psicologia é o segundo curso com maior número de matrículas presenciais na rede privada do País, com 346,5 mil estudantes, atrás apenas de Direito, com 565,6 mil.

Investimento de R$ 40 milhões e processo seletivo com texto sobre saúde mental

Os professores do novo curso ainda estão sendo selecionados, e o projeto prevê intercâmbio com instituições e profissionais no exterior. O processo seletivo deve incluir, além de prova tradicional e entrevistas, um texto sobre como o candidato enxerga a saúde mental atualmente. “Para que a gente possa efetivamente avaliar o DNA dele, se ele é uma pessoa que está alinhada com o nosso propósito”, diz Nabuco.

Projeto do prédio da nova faculdade.
Projeto do prédio da nova faculdade.

A Apsy é a primeira faculdade da Artmed, que começou como uma editora no Rio Grande do Sul e hoje integra o grupo +A Educação, com cursos de pós-graduação na área da saúde e plataformas educacionais para instituições de ensino. O investimento é de R$ 40 milhões. O prédio onde funcionará a instituição ainda está em obras na Rua Alvorada.

A iniciativa leva para a Psicologia um modelo que ganhou espaço nos últimos anos no ensino superior brasileiro: instituições pequenas, especializadas e com mensalidades elevadas, que se apresentam como alternativa às universidades tradicionais, em especial para as classes altas, e apostam em currículos mais conectados ao mercado e a temas contemporâneos.

“As faculdades mais generalistas e públicas não têm atraído tanto o interesse de uma parcela dos jovens; eles querem algo mais prático, mais focado, um currículo moderno”, afirma o diretor da Apsy, Fernando Kiperman, neto do fundador da Artmed e formado ele mesmo na Link, uma faculdade criada em 2020 com foco em empreendedorismo.

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