POÇÃO DE PEDRAS (MA) – Ao que parece, a inteligência e a competência técnica de Poção de Pedras entraram em recesso parlamentar. Pelo menos é o que sugere a última movimentação do prefeito municipal, que decidiu que a solução para os problemas educacionais da cidade não estava em solo local, mas a cerca de 350 km de distância, na capital São Luís.
O “bilhete premiado” da vez atende pelo nome de Emée Fonseca Cardoso. A nova secretária de Educação não chega apenas com o currículo debaixo do braço, mas acompanhada de um “pacote VIP” que faria inveja a executivos de multinacionais, bancado, é claro, pelo suado imposto do contribuinte poção-pedrense.

OS supostos “Kit Sobrevivência” da Secretária
Para aceitar a árdua missão de gerir a educação municipal, a nova comandante da pasta contará com benefícios que a oposição e o Blog das Lobas classificaram como um verdadeiro “tapa na cara” da realidade local. Confira os itens do modesto enxoval administrativo:
- Vencimentos: Um salário de R$ 15.000,00 (valor que certamente ajuda a aplacar a saudade da capital);
- Comitiva: Dois assessores especiais, custando R$ 5.000,00 cada aos cofres públicos;
- Logística e Conforto: Uma caminhonete à disposição e moradia totalmente custeada pelo município.
A pergunta que ecoa nas esquinas da cidade é uma só: será que entre tantos intelectuais e profissionais formados na “terra de gente inteligente”, ninguém estava à altura do cargo? Ou será que a competência em Poção de Pedras agora exige sotaque da Ilha?
Mão de Ferro para os Locais, Regalias para os de Fora
Enquanto o “primeiro escalão importado” desfruta das benesses, o clima para quem está no chão da escola é de tensão e “aperto de cintos”. Emée Cardoso mal esquentou a cadeira e já é anunciada como a portadora da “mão de ferro”.
A promessa é de uma “moralização” (termo preferido de dez entre dez gestores que querem demitir) que deve resultar na degola de coordenadores e no retorno forçado de profissionais para a sala de aula. Para completar o cenário de alegria pedagógica, menciona-se uma nova carga horária de 29 aulas, o que transformará a rotina dos professores em uma verdadeira maratona de resistência.
Fantasmas Políticos e a “Preço de Ouro”
A história de Poção de Pedras é rica, mas a memória política parece ser curta. Gestões passadas que apostaram no desprezo pelos quadros locais em favor de “forasteiros” colheram resultados desastrosos nas urnas.
Resta saber se o investimento de “preço de ouro” na nova secretária produzirá gênios da educação ou se servirá apenas para inflar a folha de pagamento enquanto os profissionais da casa assistem, de longe, aos privilégios de quem acaba de chegar.
A Prefeitura e a nova secretária seguem com o espaço aberto para explicar à população por que o talento local ficou tão caro — ou tão escasso — a ponto de exigir tal logística de importação.
Fica aberto o Direito Constitucional do Direito de Resposta
Para que não restem dúvidas, o exercício do Direito de Resposta é regido pela Lei Federal nº 13.188, de 11 de novembro de 2015. Esta norma garante que qualquer pessoa — seja o Prefeito Municipal ou a própria Secretária — que se sinta atingida por reportagens, tem o direito de apresentar sua versão dos fatos com o mesmo destaque e espaço.
Art. 2º da Lei 13.188/2015: “Ao ofendido é assegurado o direito de resposta ou retificação, gratuito e proporcional ao agravo…”
Aos Citados: A Porta Está Aberta
Este espaço reafirma o compromisso com a pluralidade de vozes e convoca os protagonistas da atual polêmica a utilizarem suas prerrogativas legais:
À Secretária Emée Fonseca Cardoso: O espaço está disponível para que a nova comandante da pasta explique como sua vasta experiência em São Luís justifica o “pacote VIP” de R$ 15 mil mensais, moradia custeada e a estrutura de assessoria que tanto chamou a atenção da cidade.
Ao Prefeito de Poção de Pedras: Fica o convite para que a gestão municipal fundamente, sob a ótica do interesse público, a necessidade de buscar fora de casa o que a “terra de intelectuais” supostamente não oferecia.
Aos Assessores e Demais Mencionados: Aqueles que integram o novo ecossistema da Secretaria de Educação e que foram citados nas denúncias do Blog das Lobas também gozam da mesma garantia constitucional (Art. 5º, inciso V da CF/88).
Transparência não é Opção, é Lei
O Direito de Resposta não serve apenas para “limpar a imagem”, mas para que a população de Poção de Pedras saiba exatamente onde cada centavo do seu imposto está sendo aplicado.
Se a “mão de ferro” mencionada nas denúncias é, na verdade, uma “mão de veludo” em prol do ensino, a lei garante o direito de provar.
Seguimos no aguardo das notas oficiais. Afinal, quem não deve, não teme — e, geralmente, não demora a responder.
fonte da Matéria: blog das lobas