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A motivação política de Trump pró Bolsonaro não é uma hipótese, é um fato

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A palavra de ordem na crise das tarifas entre Brasil e EUA é negociação, mas isso depende de algo básico: combinar com os adversários. Não há conversa se um dos lados fecha portas e ouvidos e esse é o caso de Donald Trump e Marco Rubio, que não estavam e não estão dispostos a conversar governo a governo. Quando um não quer, dois não brigam. Quando um não quer, ninguém negocia.

O presidente Lula não passa ileso de críticas, desde que, apesar da “química” com Trump, insistiu em dar caneladas no presidente americano. Uma ou outra eram indispensáveis, mas a insistência foi além do necessário. Isso, porém, não significa que o Brasil não tenha se esforçado para negociar.

A iniciativa privada, ao largo da política e da eleição, teve mais êxito, mas o governo fez o possível. Os argumentos técnicos foram muito bem construídos contra as inúmeras mentiras sobre Pix, desmatamento, balança comercial e vai por aí afora. Mas…

Os “negociadores” do outro lado criaram obstáculos um atrás do outro, não estavam dispostos a ceder um milímetro e nem mesmo a ouvir os argumentos técnicos. Foi uma decisão unilateral, trancada num único cofre: a cabeça de Trump. Ele quis, ele impôs.

07.05.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Casa Branca, Washington, D.C. Fotos: Ricardo Stuckert / PR
07.05.2026 – Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Casa Branca, Washington, D.C. Fotos: Ricardo Stuckert / PR

A questão política foi fundamental desde o tarifaço de 50%. A origem de tudo foi o acesso de Eduardo Bolsonaro à Casa Branca e a prova é a carta de Trump, de julho de 2025, fazendo ameaças e exigindo o imediato fim do processo contra Jair Bolsonaro por tentativa de golpe. Mais político, impossível.

Todos os ataques vieram depois disso, até Trump recuar e suspender os 50%. O marco da volta dos ataques foi o encontro de Flávio Bolsonaro e Trump, seguido da classificação de PCC e CV como terroristas (uma ameaça latente de intervenção), a retomada da retórica beligerante, Trump contra Lula no G-7 e a bomba da Seção 301 de Comércio.

Portanto, o movimento de Trump é, sim, contra o mundo e o multilateralismo, mas tem um viés político inegável e particular em relação ao Brasil, o maior país da América do Sul, com fartas terras raras e ainda fora do controle da direita.

Ok, o Brasil não tem estatura para enfrentar a potência de cara limpa, mas não é um paiseco qualquer para abaixar a cabeça e aceitar calado um ataque unilateral e apoiado em mentiras como esse. Alguma reação há que haver, enquanto a diplomacia age nos bastidores – como tem feito.

O que esperar? Engolir em seco seria prejudicar setores importantes da economia e milhares de empregos. Retaliar, pura e simplesmente, não seria prudente. A Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso, é um instrumento à mão. Se convém ou não é caso para discussão.

Como a motivação tem claro viés político, os Bolsonaro jogaram o Brasil nas mãos de Trump, Lula tirou uma casquinha política com a bandeira da soberania e há um impasse, o tarifaço tem efeito eleitoral, queiramos ou não, e qualquer reação ou negociação depende do próximo governo. Que seja altiva, mas pragmática. Não é pedir muito.

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