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Supersalários no funcionalismo voltam ao plenário do Supremo nesta quarta; o que está em jogo?

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O plenário do Supremo Tribunal Federal retoma nesta quarta, 25, o julgamento sobre os penduricalhos e os supersalários que se alastram pelo funcionalismo público. Os dez ministros da Corte analisam as liminares concedidas por Flávio Dino e Gilmar Mendes que, desde fevereiro, prometem enfrentar os pagamentos que extrapolam o teto constitucional. Ao tomar as decisões, Dino afirmou que a medida poderia acabar com o “Império dos Penduricalhos”, enquanto Gilmar criticou a “desordem” das verbas remuneratórias.

Há 30 dias, o Supremo debateu as liminares pela primeira vez, em uma sessão marcada por declarações ásperas dos ministros e por uma defesa enfática de entidades de classe da magistratura e de procuradores sobre os proventos inflados.

Decisão de Dino que suspendeu o pagamento de penduricalhos é aprovada por 72,1% dos brasileiros, aponta levantamento da AtlasIntel/Estadão
Decisão de Dino que suspendeu o pagamento de penduricalhos é aprovada por 72,1% dos brasileiros, aponta levantamento da AtlasIntel/Estadão

Na ocasião, Flávio Dino, autor da primeira liminar que enfrentou os pagamentos acima do teto, assinada em 5 de fevereiro, propôs um desafio no plenário. “Qual é o teto que vigora hoje no Brasil? Ninguém sabe. Quem souber responder essa pergunta ganha um prêmio”, afirmou.

A resposta, segundo o ministro, à luz da Constituição, seria objetiva: R$ 46.366,19, valor que corresponde ao subsídio bruto pago aos integrantes do Supremo.

Minutos depois da provocação, foi a vez de Gilmar Mendes se pronunciar. A partir de 23 de fevereiro, ele passou a acompanhar Flávio Dino com liminares que sufocam os pagamentos desenfreados e contracheques elevados. No plenário, Gilmar ironizou que as verbas indenizatórias e outros penduricalhos “fariam inveja” ao pintor Pablo Picasso pela “criatividade”.

“O teto virou piso”, alertou o decano da Corte, referindo-se a pagamentos milionários concedidos especialmente pelos tribunais, Promotorias e Procuradorias do Ministério Público e também em prefeituras e governos estaduais onde procuradores estouram o teto com verbas de sucumbência.

No plenário, Gilmar ironizou que as verbas indenizatórias e outros penduricalhos 'fariam inveja' ao pintor Pablo Picasso pela 'criatividade'
No plenário, Gilmar ironizou que as verbas indenizatórias e outros penduricalhos ‘fariam inveja’ ao pintor Pablo Picasso pela ‘criatividade’

Quando a palavra esteve com os advogados das entidades e associações interessadas no julgamento, uma sustentação oral chamou atenção pela descrição do que seria a ‘realidade’ do magistrado no País.

A juíza Claudia Marcia de Carvalho Soares, representante da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho, tentou levar os ministros do Supremo a uma viagem ao que chamou de “chão de fábrica” da magistratura.

“O juiz de primeiro grau não tem carro, paga do seu próprio bolso o combustível, o carro financiado. Não tem apartamento funcional, não tem plano de saúde, não tem refeitório, não tem água e não tem café, ministro Dino”, sustentou.

Os juízes não têm segurança jurídica. Um mês não sabe o que vai receber, outro mês não sabe se vai ‘cair’, vem uma liminar, vem outra”.

Para a advogada e ex-juíza do Trabalho, “os últimos tempos não foram de tanta glória, mas de preocupação para a magistratura”.

Claudia recebeu cerca de R$ 113,8 mil líquidos em dezembro, segundo o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região.

R$ 9,8 bilhões acima do teto

Na segunda, 23, a comissão técnica formada por representantes dos Três Poderes para elaborar uma regra de transição para os penduricalhos no funcionalismo estimou que o gasto total com verbas acima do teto salarial esteja hoje em torno de R$ 9,8 bilhões.

Entre as propostas de ajustes, está a criação de um limite global para o pagamento de verbas indenizatórias – uma espécie de segundo teto.

O relatório técnico em questão será debatido no julgamento desta quarta, 25.

Reunião da Comissão Técnica de Assessoramento sobre verbas indenizatórias realizada na último dia 20
Reunião da Comissão Técnica de Assessoramento sobre verbas indenizatórias realizada na último dia 20

O documento não sugere um limite específico para as verbas indenizatórias, mas apresenta cenários que variam entre 30% e 70% em relação ao teto. Caso seja permitido um incremento de até 30% nos salários, a comissão estima que haveria uma economia de R$ 825 milhões anuais. Já a adoção do limite de 70% implicaria um gasto adicional de R$ 180 milhões. Seguir o teto à risca resultaria em uma economia de R$ 2,6 bilhões.

72,1% dos brasileiros aprovam liminar de Dino, aponta pesquisa

A decisão de Dino que suspendeu o pagamento de penduricalhos não previstos em lei a servidores do Executivo, Legislativo e Judiciário é aprovada por 72,1% dos brasileiros, aponta levantamento da AtlasIntel/Estadão divulgado na sexta, 20. São 15,7% os que reprovam a medida, e 12,2% não sabem.

A pesquisa AtlasIntel/Estadão compilou 2.090 entrevistas virtuais com brasileiros de 16 anos ou mais entre os dias 16 e 19 de março. A margem de erro é de dois pontos porcentuais e o nível de confiança é de 95%.

Flávio Dino proibiu a edição de qualquer nova lei que autorize a inclusão e o pagamento de parcelas remuneratórias ou indenizatórias que ultrapassem o teto
Flávio Dino proibiu a edição de qualquer nova lei que autorize a inclusão e o pagamento de parcelas remuneratórias ou indenizatórias que ultrapassem o teto

A decisão de Dino tem maior aprovação entre mulheres (79,6%), pessoas acima de 60 anos (88,7%), pessoas com ensino superior (90,1%), agnósticos ou ateus (96,1%) e pessoas com renda familiar entre R$ 5 mil e R$ 10 mil (89%).

O que Dino e Gilmar determinaram sobre os supersalários

Flávio Dino concedeu, em 5 de fevereiro, liminar para suspender o pagamento dos chamados penduricalhos a servidores federais dos Três Poderes. A decisão também atinge Estados e municípios.

Pela decisão, adicionais que não estejam previstos em lei deverão ser suspensos após 60 dias. Nesse período, Executivo, Legislativo e Judiciário terão de revisar todas as verbas pagas como adicionais salariais que contribuem para que vencimentos no funcionalismo ultrapassem o teto constitucional.

No dia 19, Dino proibiu a edição de qualquer nova lei que autorize a inclusão e o pagamento de parcelas remuneratórias ou indenizatórias que ultrapassem o teto. Também vetou o reconhecimento de novos desembolsos relativos a supostos direitos pretéritos no funcionalismo.

Quatro dias depois, o ministro Gilmar Mendes deu prazo de 60 dias para a suspensão de pagamentos de penduricalhos a integrantes do Judiciário e do Ministério Público em todo o País que tenham como base leis estaduais, decisões internas ou atos administrativos. No caso da Justiça Federal e do Ministério Público da União, a decisão também determinou a interrupção de valores que não estejam amparados por lei aprovada pelo Congresso. Apenas verbas expressamente previstas em lei federal poderão continuar a ser pagas.

Em 26 de fevereiro, Gilmar elevou o tom contra carreiras jurídicas que se opuseram à suspensão dos penduricalhos e alertou, em nova decisão, que o pagamento de verbas indenizatórias acima do teto constitucional pode acarretar sanções penais e administrativas.

Em nova sinalização de endurecimento, Gilmar e Dino concordaram em reduzir o prazo para a revisão de todos os pagamentos acima do teto no País. O período, antes fixado em 60 dias, caiu para 45.

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