São Luís, 20 de janeiro de 2026 — O Ministério Público do Estado do Maranhão (MP-MA) apresentou, nesta segunda-feira (19), uma denúncia formal à Justiça contra o prefeito de Turilândia, José Paulo Silva Dantas Neto, conhecido como Paulo Curió (União Brasil), e outras nove pessoas acusadas de integrar uma organização criminosa que teria desviado mais de R$ 56 milhões dos cofres públicos municipais.
A peça acusatória foi assinada pelo procurador-geral de Justiça do estado, Danilo José de Castro Ferreira, e encaminhada à 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), sob relatoria da desembargadora Maria da Graça Peres Soares Amorim, responsável pela análise do caso.
O que diz a denúncia
Na denúncia, o MP-MA sustenta que há indícios suficientes de autoria e materialidade dos crimes, descrevendo detalhadamente a atuação de cada um dos envolvidos no esquema, que teria funcionado por meio de:
desvio de recursos públicos;
fraude em licitações;
corrupção ativa e passiva;
lavagem de dinheiro;
formação de organização criminosa.
O Ministério Público pede que a Justiça receba a denúncia, transformando os acusados em réus na ação penal, e que, em caso de condenação, sejam aplicadas penas elevadas, além de medidas como ressarcimento integral dos valores desviados, perda de bens e afastamento de cargos públicos.
Quem é apontado como líder e como operava o esquema
Segundo o MP, Paulo Curió é apontado como líder da organização criminosa, utilizando o cargo de prefeito para organizar e coordenar o esquema de desvios e fraudes, com participação de aliados e servidores públicos.
A Operação Tântalo II, que originou a investigação e resultou na denúncia, foi deflagrada em 22 de dezembro de 2025 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do MP-MA, com apoio das polícias Civil e Militar, cumprindo dezenas de mandados de prisão e busca e apreensão.
Outros envolvidos denunciados
Além de Paulo Curió, foram denunciados:
Vice-prefeita Tânia Karla Cardoso Mendes Mendonça – apontada como integrante da estrutura de poder e facilitadora do esquema;
Eva Curió – primeira-dama e apontada como responsável por movimentações financeiras ligadas ao grupo;
Wandson Jonath Barros – operador financeiro e responsável pela circulação dos recursos desviados;
Janaína Soares Lima e Marlon de Jesus Arouche Serrão – ligados a empresa que recebeu recursos públicos;
Clementina de Jesus Pinheiro Oliveira – pregoeira que, segundo o MP, favorecia contratos;
Gerusa de Fátima Nogueira Lopes – ex-chefe do setor de compras;
Eustáquio Diego Fabiano Campos – descrito como agiota e lavador de dinheiro.
(Os nomes listados correspondem aos denunciados e seus papéis conforme apuração do Gaeco e MP-MA.)
Contexto do caso e repercussão
A Operação Tântalo II revelou um esquema amplo de desvios estimado em mais de R$ 56 milhões, envolvendo a Prefeitura e a Câmara Municipal de Turilândia, empresa de fachada e contratos fraudulentos entre 2021 e 2025, período em que os recursos públicos teriam sido utilizados para fins ilícitos.
A Justiça do Maranhão já havia mantido prisões preventivas e medidas cautelares contra o prefeito e parte dos envolvidos, mesmo após parecer favorável à liberdade emitido pela Procuradoria-Geral de Justiça — posição que gerou discordância interna no Ministério Público, com pedido coletivo de exoneração de promotores do Gaeco.
Próximos passos
Com o recebimento da denúncia pela Câmara Criminal do TJMA, os acusados passarão a responder como réus, iniciarão o processo penal formal e poderão apresentar suas defesas. A tramitação judicial pode incluir audiências, produção de provas e, em caso de condenação, aplicação de penas e sanções previstas na legislação penal brasileira.
O Prefeito Paulo Curió de Turilândia Maranhão, sua esposa Eva Curió e 7 aliados viram reus após a denuncia ter sido recebida pelo MPE-MA por fraude em licitações, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, formação de organização criminosa.
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