O “Exército do Dudu”, canal criado por aliados do ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD) logo após a vitória do presidente Lula (PT), para pressionar pela realização de um segundo turno no Estado, “flopou” e tem apenas 260 mil pessoas. O “Exército do Lula”, que ajudou a reeleger o petista, chegou a 10,2 milhões de integrantes.
Paes ficou de fora da disputa depois que o Tribunal Regional Eleitoral do Rio retotalizou os votos excluindo os obtidos por Anthony Garotinho (Republicanos), que teve os pouco mais de 274 mil apoios anulados com o indeferimento da candidatura do ex-governador. Com isso, o principal adversário de Paes na disputa, o bolsonarista Douglas Ruas (PL), alcançou 50,88% dos votos válidos e foi proclamado governador. Paes obteve 44,16% dos válidos.
‘Exército fantástico’ e ‘general’ à la Janones
Na última terça-feira, 3, aliados de Eduardo Paes publicaram um vídeo do candidato agradecendo ao “Exército fantástico que está mobilizando todo mundo” e pedindo que o grupo, até então com 250 mil seguidores, chamasse mais “soldados” para chegar a 300 mil pessoas. “Acelera aí”, pediu o ex-prefeito. Mas os apelos não surtiram efeito, e até a sexta-feira, 6, o “Exército” estava com apenas 263 mil integrantes.

O canal de “Dudu” Paes segue o modelo dos chamados feitos pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que com o “Exército do Lula” ajudou a virar o jogo e eleger o presidente contra Flávio Bolsonaro (PL). Há missões, como compartilhar informações nas redes sociais, e os aliados de Paes se referem ao chefe como “general”, mesma nomenclatura usada para Lula. Circula no grupo até mesmo uma figurinha do ex-prefeito com os dizeres “Explode”, marca de Janones no grupo durante a corrida presidencial.
Perguntados pela Coluna do Estadão sobre o motivo da falta de mobilização por Eduardo Paes, aliados do ex-prefeito argumentam haver uma questão de “timing”, já que a eleição acabou e a população “virou a página”. Afirmam, porém, estarem em modo de “otimismo realista”, e dizem acreditar na ofensiva jurídica que chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), cujo relator é o ministro Cristiano Zanin, ligado a Lula, aliado de Paes.