O Estadão terá uma página especial com a projeção do resultado do segundo turno da eleição presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A predição não é oficial e mostra a tendência do resultado final conforme a apuração avança pelas seções eleitorais do País.
O modelo foi desenvolvido pelo pesquisador Rodrigo Mahlmeister, economista pela Universidade de São Paulo (USP), mestre em Ciência Política pela mesma instituição e doutor em Ciência Política pela Universidade Duke, nos Estados Unidos.
Durante o primeiro turno da eleição presidencial, com 10% de urnas apuradas, o modelo de Mahlmeister projetou Flávio Bolsonaro com 47,1% no resultado final, e Lula, com 45,2%. O resultado oficial mostrou o candidato do PL com 47,03% dos votos válidos, e o petista, com 45,16%. Antes disso, com somente 3% das seções apuradas, a projeção do pesquisador não se afastou mais de meio ponto porcentual do resultado final.
A apuração oficial, com os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), também pode ser acompanhada em tempo real pela plataforma do Estadão.

Como funciona o modelo
Segundo o pesquisador, o modelo compara a apuração das urnas com o modo como aquela seção eleitoral votou em pleitos anteriores. A projeção também compara e analisa possíveis tendências a partir do resultado do primeiro turno da eleição presidencial deste ano.
“Comparo cada urna que já foi apurada com o modo como aquele mesmo lugar votou em 2022. A partir dessa comparação, o modelo vai aprendendo como o voto mudou”, disse Mahlmeister. “Conforme mais dados vão chegando, mais preciso fica o aprendizado, e ele aplica a mudança aos lugares parecidos, às urnas que ainda vão ser apuradas. O modelo, desde o início, não está considerando só as urnas apuradas. Ele considera as apuradas e, para cada uma que não está apurada, faz uma projeção, usando as informações da parte apurada para fazer a da não apurada”, explicou o pesquisador.
Segundo Mahlmeister, o aprendizado do modelo permite que “regras” sobre a mudança no comportamento eleitoral possam ser aplicadas não só ao País como um todo, mas para regiões, Estados e locais de votação específicos. Para tanto, um dos critérios analisados é o do porte do município.
“O modelo começa com pouca informação, com um padrão meio nacional de como o voto mudou em relação a 2022, mas conforme a apuração avança, os cálculos ficam mais específicos, por exemplo, com regras diferentes para cada Estado”, afirmou. “Desde 2018 temos candidatos com características semelhantes e isso facilita muito o modelo.”