O ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), candidato ao governo de Pernambuco, quer fazer uma campanha emocional para tentar atrair o eleitor que vem migrando para a adversária, a governadora Raquel Lyra (PSD), que tenta a reeleição.
A equipe de Campos acredita que a partir de 4 de julho haverá “paridade de armas” entre os adversários, já que Raquel não poderá mais inaugurar obras como governadora, e a ideia é usar os atributos do ex-prefeito reforçados em pesquisas internas, como o carisma e a proximidade com a população. João ficou conhecido como o “prefeito TikToker”.
O ápice da estratégia será trazer para as inserções das redes sociais e televisão o ex-governador de Pernambuco e ex-candidato à Presidência Eduardo Campos, pai de João, que morreu em um acidente aéreo durante a campanha de 2014, aos 49 anos.
A presença do pai na campanha não é novidade. Em março, quando oficializou a pré-candidatura ao governo de Pernambuco, ele publicou nas redes sociais um vídeo com diversas imagens de Eduardo Campos em momentos com a família e em falas políticas, como quando disse, na condição de candidato do PSB à Presidência: “não vamos desistir do Brasil”.

Na pesquisa Datafolha de maio, Raquel Lyra assumiu a dianteira no segundo turno, com 51% das intenções de voto contra 44% do socialista. Em comparação com o mês anterior, Raquel cresceu 9 pontos, enquanto João Campos recuou 8.
João Campos aparece à frente na pesquisa Real Time Big Data desta semana, com 46%, contra 41% de Raquel no segundo turno, mas tem perdido terreno para a governadora desde o ano passado. Como mostrou a Coluna do Estadão, embora no primeiro turno ele também apareça à frente (45% a 40%), o ex-prefeito recuou cinco pontos, enquanto Raquel subiu sete.
O grupo político do ex-prefeito aposta nos resultados de trackings – pesquisas para consumo interno e direcionamento da campanha. Segundo esses levantamentos feitos pela equipe do socialista, ele é visto como um postulante jovem e que traz mais “perspectiva de futuro” do que a adversária.
Novo passo. Vontade ainda maior de fazer acontecer. #PEpraFrente pic.twitter.com/hcxr0ndbZy
— João Campos (@JoaoCampos) March 20, 2026
Campos aguarda fala de Lula sobre palanque único
Uma das justificativas dadas pelo entorno de Campos para a diminuição da vantagem no Estado, além do uso da máquina pela governadora e do que chamam de “campanha negativa” de Raquel em relação a ele, teria a ver com as críticas que o ex-prefeito sofre por ter sua imagem colada à do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Pernambuco, entretanto, é o Estado onde Lula tem a maior aprovação popular, de 63%, segundo Datafolha de maio. Pelo levantamento Real Time Big Data desta semana, Lula venceria em seu estado-natal no primeiro turno contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com 57% dos votos, contra 22% do senador.
Ainda assim, aliados de Campos acreditam que, após ele ter se colocado como um “soldado de Lula” no ano passado, a direita, ainda que com menor força no Estado, passou a atacá-lo constantemente. Raquel, por sua vez, não teria ficado igualmente ligada ao petista, ainda que também apareça em várias agendas ao lado do presidente.
João Campos aguarda uma fala clara de Lula de que terá um palanque único em Pernambuco. Como mostrou a Coluna, Campos se reuniu com o petista há duas semanas, em Brasília, e ouviu do presidente que ele é o seu único candidato no Estado, mas o silêncio de Lula tem irritado o candidato e a cúpula do PSB.
