O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), faltou ao debate entre presidenciáveis organizado em conjunto pelo Grupo Bandeirantes e pelo Estadão. A decisão teve como estratégia prioritária a preparação para a sua estreia na série de sabatinas do Jornal Nacional, da TV Globo, que ocorre nesta segunda-feira, 24, e o entendimento político de que não haveria vantagem em “virar o alvo das pedradas” no confronto presencial com os presidenciáveis.
Segundo apurou a Coluna do Estadão, a avaliação nos bastidores da campanha de Zema indicava que a agenda apertada inviabilizaria uma preparação adequada para ambos os compromissos em curto intervalo de tempo.
Como Zema foi o sorteado para abrir a rodada de entrevistas na bancada da TV Globo, a equipe considerou fundamental concentrar esforços na sabatina. Além do fator tempo, pesou na escolha o formato dos dois eventos e a dinâmica política do momento.

O espaço na TV Globo oferece maior alcance de público e melhores condições para detalhar propostas de governo, enquanto do debate pesam os recortes pontuais voltados para viralizar em redes sociais. Então, qual seria a vantagem de ir ao debate? A pergunta avançou sobre a madrugada de sábado, e a decisão final sobre o cancelamento da presença só foi cravada no domingo.
Com a ausência dos principais nomes da disputa — o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) —, a avaliação nos bastidores era clara: sendo visto no cenário eleitoral como uma linha auxiliar do bolsonarismo, o ex-governador correria o risco de virar o centro dos ataques, tendo de responder a cobranças que seriam feitas a Flávio Bolsonaro.
Outro ponto de atrito mapeado seria o confronto direto sobre modelos de gestão pública com o também ex-governador Ronaldo Caiado (PSD). Diante desse quadro, a coordenação da campanha concluiu que não haveria vantagem política em expor o candidato neste primeiro debate.