Primeira senadora eleita pelo PT de Minas Gerais, Marília Campos, que assumirá o mandato em fevereiro, defende que o impeachment não deve ser usado como bandeira política, mas reconhece que o recurso é uma medida aplicável quando houver necessidade.
Em entrevista à Coluna do Estadão, a ex-prefeita de Contagem (MG) afirmou que cabe ao próprio Supremo Tribunal Federal (STF) adotar as medidas necessárias para apuração e decisão. Caso isso não aconteça, caberá ao Senado tomar uma atitude.

“O Supremo é quem tem acesso a essas investigações, ele tem que tomar as providências. Senão, o Senado tem de se apropriar delas e, dentro das regras constitucionais, tomar as medidas cabíveis. Se a alternativa for o impeachment, nós teremos que fazer o impeachment”.
A senadora eleita observou, contudo, que as apurações do escândalo do Banco Master apontam relações do banqueiro Daniel Vorcaro não apenas com ministros, mas também com políticos, e defendeu que todos sejam investigados.
“Temos que cobrar que o STF tome as medidas cabíveis que envolvem não só ministros, porque não foi só ministro que foi beneficiado pelo escândalo do Master. Teve políticos também, outras lideranças. Essas investigações estão no Supremo”, completou a senadora eleita.
O Senado é a instituição responsável por julgar o impeachment de ministros do STF. A pauta virou tema central da campanha bolsonarista, com a promessa de que o ministro Alexandre de Moraes seria o primeiro alvo de um eventual processo.
Havia a expectativa de que o tema avançasse no início da nova legislatura caso Flávio Bolsonaro (PL) vencesse a disputa. O seu partido elegeu a maior bancada do Senado e, somado aos 35 votos da direita, pretendia buscar o apoio do Centrão para aprovar a medida.
Com a vitória de Lula, porém, o andamento dos pedidos de impeachment permanece incerto. O cenário dependerá da eleição para a presidência do Senado a partir do próximo ano.
Atualmente, o Senado é presidido por Davi Alcolumbre (União-AP), que declarou repetidas vezes que não dará seguimento a requerimentos de impeachment contra integrantes do STF. No entanto, mesmo com o novo governo, Alcolumbre enfrenta dificuldades nos bastidores para reunir o apoio necessário à sua reeleição no comando da Casa em 2027.