O Japão tem um dos melhores desempenhos educacionais do mundo; o Brasil está entre os piores. Os salários dos professores também são bastante diferentes. Mas, quando o assunto é satisfação com o trabalho, os dois países aparecem próximos: apenas 37,3% dos docentes japoneses e 44,3% dos brasileiros dizem estar satisfeitos com suas condições de emprego, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
A pergunta feita aos professores e cujo resultado está no relatório Education at a Glance, divulgado na semana passada, pedia que o salário fosse desconsiderado. No entanto, os dois países também apresentam baixos índices de satisfação com a remuneração. No Brasil, apenas 22,3% dos professores dos anos finais do ensino fundamental dizem estar satisfeitos com o salário. No Japão, são 28,6%.

O documento da OCDE mostra que salário é importante, mas está longe de ser o único fator que determina a satisfação dos professores. Na média dos países da organização, 68% dos docentes estão satisfeitos com suas condições de emprego, excluindo a remuneração, enquanto apenas 39% estão satisfeitos com o salário.
O Brasil se diferencia negativamente porque apresenta insatisfação elevada nas duas dimensões. O salário inicial de um professor dos anos finais do ensino fundamental da rede pública é de US$ 25,7 mil por ano, em valores ajustados por poder de compra, o que representa cerca de R$ 134 mil. A média dos países da OCDE é de cerca de US$ 49,7 mil (R$ 259 mil). No Japão, o valor é de US$ 43 mil (R$ 224 mil).
O país asiático está entre os sistemas educacionais de melhor desempenho do mundo. No Pisa, os estudantes de 15 anos estão sempre no topo dos rankings; na última edição, de 2025, foram quartos em Leitura no mundo e quintos em Ciência e Matemática. Já em satisfação dos professores ficam em 38º, a última colocação entre os países analisados.
Uma das razões apontadas pelo relatório está na carga de trabalho fora da sala de aula. Os professores japoneses passam menos de 500 horas por ano lecionando, mas têm a jornada semanal total mais longa entre os países analisados: trabalham 6,3 horas por semana a mais que outros profissionais com ensino superior.
Parte desse tempo é dedicada a atividades que não são propriamente o ensino. Professores destinam 10% da jornada de trabalho à gestão de clubes e atividades extracurriculares, a maior proporção entre os países da OCDE. Mais de 9% do tempo também é consumido por tarefas administrativas, contra 6% na média da organização.
Entre 2018 e 2024, cresceu 7,2 pontos percentuais a parcela de professores que relatam estresse relacionado ao trabalho. No mesmo período, aumentou em 14 pontos percentuais a parcela que afirma precisar frequentemente interromper as aulas para lidar com problemas de comportamento dos alunos.
No Brasil, a indisciplina também aparece como um problema importante: 89% dos professores dos anos finais do ensino fundamental dizem precisar frequentemente ou sempre conter comportamentos inadequados dos estudantes.