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Operações anticorrupção ampliam incerteza eleitoral

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A nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em 18 de junnho, manteve a corrupção no centro do debate eleitoral. A ação teve como principal alvo o senador Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado, suspeito de ter recebido um apartamento de R$ 2,5 milhões em Salvador e outros benefícios por meio de empresa ligada a um familiar, em troca de atuação favorável ao Banco Master no Congresso. Wagner negou irregularidades e, até agora, segue na liderança do governo.

A operação equilibra o noticiário recente, antes concentrado em figuras da centro-direita e no entorno de Flávio Bolsonaro. Antes, a PF já havia mirado o senador Ciro Nogueira, ex-chefe da Casa Civil de Jair Bolsonaro, e o governador Cláudio Castro, do mesmo partido e Estado de Flávio (PL-RJ).

PF apreende 49 mil dólares com Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado
PF apreende 49 mil dólares com Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado

Como a campanha ainda não começou formalmente, o efeito eleitoral das operações tende a se dissipar caso não haja novas revelações até outubro. No caso de Flávio Bolsonaro, a divulgação dos áudios com Vorcaro o prejudicou nas simulações de segundo turno. Até maio, ele empatava tecnicamente com Lula, mas agora tem 5 pontos de desvantagem, de acordo com a média dos institutos. Em teoria, se não houver novos escândalos, há tempo suficiente para que Flávio se recupere até outubro.

Para o governo, o efeito da operação contra Wagner deve ser ainda mais brando. Diferentemente de Flávio, que foi flagrado em mensagens e áudios com Daniel Vorcaro, o caso não atinge Lula diretamente, e o noticiário agora concorre com a Copa do Mundo. O PT tende a adotar a estratégia de defender as investigações, posição já sinalizada pela direção partidária. Por isso, o efeito nas pesquisas será menor, se é que aparecerá.

Porém, a repercussão desses e de outros casos, como o escândalo do INSS, tem mantido o tema na agenda pública. Pesquisas como Quaest e AtlasIntel indicam que corrupção fica atrás apenas de segurança pública na lista de preocupações dos brasileiros. Na última Quaest, corrupção teve 19% das menções. Um ano atrás, esse índice estava entre 13% e 16%, e o tema era apenas o quarto mais citado.

Por isso, as próximas rodadas de investigações e vazamentos serão importantes, especialmente à medida que a eleição se aproxime. A presença simultânea de operações contra figuras dos dois campos tende a reforçar, no eleitor independente, a percepção de que “todos são corruptos”. Isso abre algum espaço para uma terceira via, que era praticamente inexistente em 2022. O desafio ainda é grande: Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos dividem a atenção do eleitor indeciso, e terão pouco tempo na campanha para propor um movimento de voto útil. Mas a percepção de um “sistema corrupto” os mantém no páreo.

Ainda assim, em se confirmando um segundo turno entre Lula e Flávio, novas revelações às vésperas da eleição podem desestabilizar a disputa, sem que haja tempo de resposta. O trabalho investigativo em curso parece atingir majoritariamente a centro-direita, mas vazamentos podem afetar candidatos de qualquer campo. Há outras investigações em andamento, além do caso Master, o que apenas amplia a incerteza.

Por ora, Lula segue em vantagem. Sua taxa de aprovação vem subindo neste segundo trimestre, em movimento que antecede o escândalo Master e está mais associado a medidas como o novo Desenrola. Com aprovação média de 47% (em escala binária), a tendência ainda é de uma eleição apertada, mas com reeleição do atual governo.

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