Turilândia (MA) – Segundo documentos recebidos através de uma fonte segura por está redação as Investigações conduzidas pelo Ministério Público Estadual do Maranhão (MP-MA) apontam que a empresa Luminer e Serviços Ltda, registrada em nome do pedreiro Valdeir Menezes Dávila, recebeu mais de R$ 5,8 milhões em repasses da Prefeitura Municipal de Turilândia entre março de 2023 e janeiro de 2024.

De acordo com os dados apurados no inquérito, a empresa, inscrita no CNPJ nº 15.379.573/0001-45 e sediada no município de Santa Helena, teve como sócio formal Valdeir Menezes Dávila, profissional que, segundo informações constantes nas investigações, exerceu a função de pedreiro, inclusive com registro de trabalho em São Paulo no ano de 2016, com salário mensal aproximado de R$ 1.509,00, para jornada de 44 horas semanais.
Os investigadores destacam que a empresa foi constituída com capital social declarado de R$ 500 mil, valor que, segundo o Ministério Público, levanta questionamentos quanto à capacidade financeira do sócio formal para a constituição e gestão do empreendimento desde sua abertura, em 2012.
Suspeita de empresa de fachada
Ainda conforme o MP-MA, há indícios de que a Luminer e Serviços Ltda teria sido utilizada como empresa de fachada, supostamente criada e controlada pelo contador Wandson Jonath Barros, que, segundo a apuração, teria estruturado empresas em nome de terceiros — conhecidos como “laranjas” — para utilização por Paulo Curió, ex-prefeito de Turilândia.
O inquérito relata que Wandson Barros realizava, de forma recorrente, transferências mensais no valor de R$ 5 mil para a conta bancária de Valdeir Menezes Dávila. Segundo os investigadores, os pagamentos seriam, em tese, uma compensação pela cessão do nome para uso empresarial, embora essa hipótese ainda esteja sob apuração.
Conversas analisadas.

Mensagens analisadas no curso da investigação reforçaram a suspeita de que Valdeir figurava apenas como sócio no papel. Em um dos diálogos mencionados nos autos, Wandson Barros questiona Valdeir sobre a chegada de um cartão bancário da empresa.



Em outra conversa, o contador pergunta quando Valdeir iria “arrumar um portão”, situação que, para o Ministério Público, indicaria que o sócio formal mantinha uma rotina de trabalhador comum, incompatível com a condição de gestor de uma empresa que movimentou milhões de reais em contratos públicos.



Repasses milionários
Segundo levantamento oficial constante nos autos, entre 24 de março de 2023 e 4 de janeiro de 2024, a Luminer e Serviços Ltda recebeu da Prefeitura de Turilândia o montante total de R$ 5.807.923,01 (cinco milhões, oitocentos e sete mil, novecentos e vinte e três reais e um centavo).
O Ministério Público segue analisando os contratos, as movimentações financeiras e o grau de participação de cada investigado, a fim de esclarecer se houve a prática de ilícitos como fraude em licitações, lavagem de dinheiro ou desvio de recursos públicos.
Até o momento, não há condenação judicial, e os citados têm direito ao contraditório e à ampla defesa.
Redação: e-mail – redacao.jornalbrasilonline@gmail.com